- APRESENTAÇÃO -

O objetivo deste Blog é divulgar projetos, pesquisas, trabalhos, textos que abranjam o pensamento filosofal de diversas áreas e diversos pensadores, disponibilizando-os a quem assim quiser partilhar e precisar para suas próprias investigações e pesquisas. Grato a todos que me ajudaram: Professores, Tutores e Colegas.
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sábado, 14 de agosto de 2021

A AFIRMAÇÃO DA VONTADE, O SOFRIMENTO E O SUICÍDIO

Universidade Estadual de Londrina - Departamento de filosofia

Texto para Seminário - Ética e Política em Schopenhauer

Título: A afirmação da Vontade, o sofrimento e o suicídio.

Professor: Dr. Aguinaldo Pavão

Aluno: Agustavo Caetano dos Reis

Data: 25 de março de 2021.

A AFIRMAÇÃO DA VONTADE, O SOFRIMENTO E O SUICÍDIO

 

PREÂMBULO

Para que possamos iniciar de maneira um tanto quanto mais abrangente, importa que conheçamos algumas particularidades do filósofo Arthur Schopenhauer para entendermos as raízes do sofrimento, suas ideias sobre suicídio, a consolidação de seu pensamento sobre ética, moral, política e sobre a afirmação da Vontade no mundo diante do concurso das próprias experiências do mesmo. A construção de sua obra é profunda, densa, um legítimo tratado que mapeia o caminho que conduz à subjetividade de sua própria expressão que quer tirar o leitor das ilusões conceituais construídas para tolher a liberdade de conhecer e ser atuante no mundo.

Schopenhauer, nascido em Danzig (Polônia), aos 22 de fevereiro de 1788 e falecido em Frankfurt (Alemanha), aos 21 de setembro de 1860, de certa forma foi um privilegiado desde a adolescência, tendo viajado o mundo à custa de oferta de seu pai para aprendizado de negócios, coletou dados sobre a dor que as pessoas sentem com a vida, o que pode tê-lo iniciado ao sentido de pessimista. Aos 17 anos seu pai morreu talvez por suicídio (o que nos importa no presente texto). E assim, pôde deixar de fazer uma atividade que não gostava (negociante) e se dedicar aos estudos indo cursar medicina. Em Berlim se doutora em filosofia, em cuja tese, entendia que para tudo no mundo existe uma razão, todos os aspectos da realidade estão vinculados ao empírico, ao abstrato, às verdades matemáticas e ao Eu, o que lhe proporcionou analisar porque as coisas acontecem baseados nesses 4 princípios racionais. Ao não ter boa avaliação pela crítica, apesar de boa nota, coleciona um rol de frustrações acadêmicas seguidas por sua mãe que considerava sua tese um tratado farmacológico. Teve a oportunidade de conhecer Johann Wolfgang von Goethe, uma das mais importantes figuras da literatura alemã, bem como o orientalista Friedrich Majer que o colocou por dentro do mundo da antiguidade indiana e o pensamento oriental. E foi então que na casa dos 30 anos escreveu O mundo como vontade e como representação. Depois conhece nova frustração dentro da Universidade de Berlim, junto a Hegel, ao lecionar sobre o tema: O ensino do mundo e o espírito humano onde obteve parcos alunos fazendo-o desistir do intento. Então depois de mais dissabores, problemas de saúde, medo do cólera, opta por ir para Frankfurt vivendo por 27 anos até o final da existência, ali foi considerado o filósofo de Frankfurt, por ter se dedicado efetivamente a escrever. Filosofava não apenas com a razão, mas também com o corpo chegando a inspirar Nietzsche, Freud, Richard Wagner, Thomas Mann, dentre outros. Produziu ali, outras obras, textos aforísticos que intitulou Parerga e Paralipomena com abordagem mais simples onde conseguiu sucesso e também a obra Sobre o fundamento da moral[1].

 

OBJETIVO

Assim sendo, esse breve e sucinto apanhado sobre a vida do filósofo Arthur Schopenhauer nos coloca diante dos três livros acima referidos cujos trechos sobre o tema Vontade, suicídio e o sofrimento serão aqui analisados.

Através do presente texto, busca-se apresentar uma parte dos argumentos do filósofo sobre o suicídio, o sofrimento do ser humano, da atuação da Vontade no mundo e usando o corpo como objetivação de seu agir, reconstruindo e analisando suas argumentações nas seguintes passagens de suas obras que se apresentam: Mundo como Vontade e como representação-T-I; § 69; Sobre o fundamento da moral; § 5º e 7º e Parerga e paralipomena II; capítulo 13.

Para isso, importa ainda antes, destacar que não se pretende colocar uma ideologia sobre a opinião de Schopenhauer no que concerne particularmente à sua abordagem em especial sobre o suicídio, ainda mais pelo fato de se ter em análise apenas os escritos acima elencados, que podem parecer, em um precipitado momento, que o filósofo defenda a subtração da existência por considerar o mundo um ambiente de sofrer e que o melhor seria não ter nascido.

Precisa-se levar em conta que o livro O mundo como vontade e como representação é uma obra vasta, possuindo dois Tomos, sendo que o Tomo 1, ele o divide em 4 Livros: Do mundo como representação; Do mundo como Vontade; Do mundo como representação e Do mundo como Vontade, (primeiras e segundas considerações) e que o capítulo que abordamos desse livro pertence às segundas considerações do Livro 4.

Sabemos que em outras passagens que não estas, ele demonstra exatamente o oposto, rejeitando o suicídio por conta de sua conexão particular com sua metafísica, onde considera ser o suicídio um erro, mas não um crime, o que começa a preparar o leitor para entender a distância da averiguação que ele faz do ato em si para as questões mundanas e espirituais associadas ao problema, até mesmo como um viés psicológico.

Para ilustrar rapidamente o que dissemos, vejamos o que o próprio autor apresenta quando ao se pretender negar a Vontade aniquila-se exatamente a possibilidade de negar a Vontade sendo o suicídio “um ato inútil e insensato.” (MVR, p. 358, T-I), pois “Se o querer viver existe, ele não pode, em sua qualidade de coisa puramente metafísica [...] ser destruído por potência alguma (Vontade); apenas o fenômeno pode ser aniquilado em tal ponto do espaço e do tempo” (MVR, p. 502, T-I) (Parêntese nosso).

 A necessidade de explicar a sua tônica de expressão da vida ao negar a Vontade, através do suicídio, seria então tal atitude – matar-se - um equívoco ao destruir o corpo que apenas é um fenômeno da Vontade e não a Vontade em si. A Vontade segue incólume, o corpo se vai.

Schopenhauer, como veremos, demonstra alguns pontos a favor da liberdade de se colocar fim ao sofrimento do corpo no mundo, como expressão da Vontade. Apresenta identificações de sofrimentos; mostra o suicídio comum por motivos outros que não o conhecer libertador; e então oferece para esse exercício amplo de sua filosofia, a possibilidade que busca demonstrar nesses tópicos à parte, um suicídio como caminho natural dessa mesma expressão vital. E não como um ato egóico ou inconsciente calcado numa ilusão ou em conceitos dogmáticos. Demonstra em outros momentos sua visão do direito e da liberdade ética e moral de dar fim ao sofrer, sofrimento este que ilustra através da negação da Vontade ou, por fim, de sua afirmação como um ente maior atuante sobre a objetivação no mundo através do veículo humano; problematizações essas que queremos apresentar com este material fazendo-nos valer de trechos escritos em suas obras.

As arguições de Schopenhauer nos tópicos que serão abordados, podem nos levar a entender, ou conduzirem o leitor a perceber que ele passa a investigar que o cessar do sofrimento do corpo que se expressa no mundo como manifestação fenomênica da Vontade, pode ter seu fim na livre escolha de interromper a existência mediante uma ascese superior advinda do conhecimento. Portanto, adiante serão elencados os seus pontos de vista que defendem a livre ideia do suicídio como termo do sofrer nestes excertos.

Buscaremos detalhar cada passo argumentativo dado por Schopenhauer evitando-se acrescentar comentários pessoais durante os mesmos, expondo-os como diamantes brutos ao olhar do leitor.

 

ANÁLISE

Assim sendo, iniciamos a análise na sequência indicada acima, partindo do § 69, na p. 504 de O mundo como vontade e como representação - Tomo-I, que transcreveremos como – MVR por amor à celeridade do texto.

Ao que o filósofo entende dentro de seus limites e considerações, que negar a Vontade da vida é um ato de liberdade, mais que isso, uma mudança transcendental a partir do instante em que se efetiva o suicídio, suprimindo a fenomenologia individual da Vontade. Em seguida, recoloca o acontecimento do suicídio como algo que não nega a Vontade, mas a afirma. (Linha 6/7, §69, p. 504, T-I).

Atesta que os prazeres são repugnantes. Há insatisfação com a vida e assim renuncia não a Vontade de viver, mas à vida. Todavia, o corpo oferece obstáculos como exemplo, sua defesa maior: o sofrer. (Linha 8/13, §69, p. 504, T-I).

Schopenhauer diz que a vida não é livre e está travada no próprio esforço de se viver com os obstáculos do corpo, além da razão e em sendo a essência de vida de tudo, está intocada pela razão, nascer e perecer eis que à Vontade não falta o fenômeno, também não faltaria o suicídio. (Linha 13/22, §69, p. 504, T-I).

Pela certeza de a Vontade permanecer viva na fenomênica da própria vida, teria o suicídio motivo e suporte (Linha 19/20, §69, p. 504, T-I).

Tendo em conta que pela visão schopenhauriana na Unidade Trimurti – hindu -, de que a vida se manifesta tanto no suicídio, como no viver e na procriação, não seria para ele incorreto pensá-lo como uma expressão fenomênica de vida no próprio suicídio. (Linha 22/27, §69, p. 504, T-I).

Defende que o suicídio não interfere na espécie, apenas no indivíduo. Mas há uma ressalva discreta no citado hinduísmo que é apenas a Unidade do Trimurti que CADA homem É por inteiro. (Grifos nossos). (Linha 24/25, §69, p. 504, T-I).

O filósofo busca destacar para respaldar suas palavras, através de sua concepção, que a vida é algo permanente, mas associa à vida algo de essencial e nisso seria o sofrer. (Linha 28/30, §69, p. 504, T-I). Portanto, voluntariamente se matar não faz diferença para a vida, seria um fenômeno individual que não interferiria no fluxo da própria vida no mundo.

Ressalta que Maia (ilusão no hinduísmo) teria no suicídio sua obra-prima de contradição da Vontade de viver na luta constante das forças naturais, uma revolta contra a travação da vida, ou seja, o sofrimento. (Linha 01/11, §69, p. 505, T-I).

Para Schopenhauer, o suicida não tem como deixar de querer, mas parar de viver ele consegue. Insiste que a Vontade se afirma justamente tendo o corpo morto. (Linha 14/15, §69, p. 505, T-I). Reforça que a Vontade permanece inquebrantável a partir do instante que o sofrimento se aproxima do corpo abrindo possibilidade para a própria negação da Vontade, ao rejeitá-la (a Vontade) ele destrói apenas o fenômeno dela que é o corpo. (Linha 21/23, §69, p. 505, T-I).

Argumenta de forma profunda, que se houvesse um motivo moral puro, a pessoa poderia guardar-se do suicídio, não evitando o sofrer, eis que o sofrimento o conduziria para a supressão da Vontade de vida. (Linha 26/31, §69, p. 505, T-I).

Dá o exemplo do pai que mata seus filhos e em seguida a si, pelo fato de que está enredado na ilusão de que o fenômeno seja a essência e isso o abala a ponto de querer evitar o padecimento aos filhos no futuro e a si no agora das penúrias. (Linha 07/13, §69, p. 506, T-I). Schopenhauer sugere a castidade como saída para se evitar esse tipo de mortandade filial, eis que a Vontade não pode quebrar por atos de violência, apenas se quebra sua expressão fenomênica no mundo, neste tempo. (Linha 18/21, §69, p. 505, T-I).

Defende que o CONHECIMENTO seria a única forma de se suprimir a Vontade, pois ao aparecer livremente (a Vontade) através do fenômeno conhece a sua essência, eis que somente à luz do caminho ofertado pela natureza se encontra a redenção da Vontade. (Linha 22/28, §69, p. 506, T-I).

Falando da ascese como uma forma elevada de suicídio isola-a dos fanáticos que a obscurecem, no entendimento de Schopenhauer a completa negação da Vontade através do ascetismo (um jejum por exemplo) cessa de viver simplesmente por deixar inteiramente de o querer. (Linha 31/34, e 2/7 §69, p. 505-6, T-I).

Compara a morte do asceta por inanição com superstição e conclui que os dogmas tomam sua razão fazendo crer que um SER superior o ordena o jejum fatal, mera ilusão. (Linha 07/12, §69, p. 507, T-I).

Dá parecer que se entristece ao notar que todos os diversos relatos elencados em seu texto da página 507 atestem ser a morte por ascese um ato de loucura. Apresenta por fim neste parágrafo um último relato buscando nele a inserção no contexto da morte voluntária. (§69, p. 507-8, T-I). Nesse relato consta “ter sido (o pretenso asceta suicida) impelido ao ermo pelo espírito de Deus”. E, apesar de todos os dados coletados, em particular a não-causa da morte, o filósofo afirma ter essa sido uma “morte voluntária”. (Linha 05/12, §69, p. 508, T-I).

Na busca por mais detalhamentos sobre o tema estudado por Schopenhauer, debruçamo-nos na coleta de material junto à sua obra Sobre o fundamento da moral no § 5º. Outorgaremo-nos a liberdade de tratar esse livro por SFM para facilitar a dinâmica. Assim seguimos.

Para levar ao tema do suicídio, o filósofo aborda o dever e afirma que o dever em relação ao indivíduo não procede por ser equiparado ao dever de direito, onde ninguém faz nada sem o querer (p. 31, SFM). Assim quanto ao amor, isso seria fácil, pois o amor próprio já é algo – segundo Schopenhauer – sem obrigação de direito, mas de dever, muito pouco. Aponta seu precursor (Immanuel Kant) para ilustrar o dever de autopreservação ligado ao amor próprio (p. 32, SFM). Levanta a memória do medo que tira a razão para não se cometer suicídio e reforça que um ser humano esclarecido, não animalescamente limitado ou preso à dor espiritual de uma futura punição ou castigo do passado, tem na natureza a liberdade de se matar, se assim o quiser. (P. 32, SFM).

Parece brincar com Kant na convicção de que reflexões não evitam tal morte (suicídio). Menos ainda a ética.

Schopenhauer nesse § 5º, coloca três exemplos de ética ou condutas que poderiam ser amorais ou imorais, o onanismo, pederastia e bestialidade enquadrando-as em nichos outros que não a moral. Tudo para desconstruir o autodever como força maior a evitar o querer do suicida. (P. 33, SFM).

Existem ainda considerações sobre ética, moral, justiça, caridade, abordados no § 7º de O Fundamento da moral (pp. 67-75), onde o filósofo avalia os conceitos formulados por Imannuel Kant em particular a “uma máxima que possas ao mesmo tempo querer que valha para todo ser racional” onde todos possam agir segundo ela como um verdadeiro princípio moral.

Questiona o que se pode ou não querer (p. 68, SFM), consoante um regulamento de moral sem que haja influência do egoísmo, o que poderia viciar a moral pelo direito do ocupante no ato de decidir pela justiça e pela caridade (p. 69, SFM).

Insiste que o egoísmo seria o “interprete oculto” da fundamentação do princípio supremo da moral em Kant (p. 72, SFM).

Reforça, para chegar ao tema do suicídio, a questão onde Kant argui sobre a repartição dos deveres e deveres de direito e de virtude (p. 73, SFM), levando em conta que os Deveres de direito não pudessem sequer serem pensados sem contradição e a de Virtude, seria impossível o querer.

E aqui enlaça o tema do suicídio para pontuar sua opinião, com os exemplos dados por Kant, onde em “primeiro lugar, os deveres de direito, por meio do assim chamado dever para consigo mesmo, o de não se poder dar cabo da própria vida livremente” (p. 74, SFM). Não sendo possível, para Schopenhauer que essa máxima seja sequer possível de pensar como Lei Universal da Natureza.

Afirma que o homem “se agarra ao suicídio logo que (...) subjugado pelo tamanho do sofrimento”, como experiência de todos os dias mostra contrário a proposta de Kant. Essa força é tamanha que sequer o medo da morte a segura.

Fecha a observação lembrando que os argumentos de Kant não foram capazes de segurar até hoje ninguém cansado da vida e é categórico ao dizer que, “Portanto, uma lei natural que incontestavelmente existe como fato e é ativa no dia-a-dia é explicada (...) como impossível mesmo de ser pensada sem contradição”. (P. 74, SFM).

Ato contínuo seguimos a investigação das considerações de Schopenhauer sobre o suicídio em Parerga e paralipomena II; capítulo 13, onde ele nos introduz a um pensar diante de novo ambiente, onde justiça e dogma religioso são avaliados como entraves sofísticos para anular quaisquer tentativas de romper o sofrimento valendo-se da liberdade de pôr fim à existência.

Logo de início o filósofo questiona o judaísmo que teria como filosofia própria a condenação do suicídio como ato covarde ou injusto (L.1/14, cap. 13, p. 321). Nesse meio tempo destaca a dor dos que ficam sem herança ou com a pecha de ter um parente criminoso ao se suicidar (L.18/25, cap. 13, p. 321 e L. 1/14 p. 322).

Schopenhauer entende que não há que imputar penas contra o suicídio, pois o cometedor do ato já se puniu com o ato em si. (L.12/16, cap. 13, p. 322).

Cita na nota-2 da página 322 dos Parerga, Plínio e sua “morte oportuna”, ou seja, que cada um possa se dar a si mesmo uma morte adequada.

Menciona as defesas feitas ao suicídio como uma escolha argumentativa, não injusta ao indivíduo; compara a desgraça com a fortuna (L1/15, cap. 13, p. 323), ação nobre e heroica entre os estóicos; hindus como hábito cultural (L.17, cap. 13, p. 323).

Schopenhauer ainda levanta uma dúvida em Hamlet, na certeza de ser absolutamente aniquilado na morte a elegeria a vista de índole no mundo. (Grifo nosso) (L.1/4, cap. 13, p. 324).

Acusa a Inglaterra de ter se unido ao clero e num ato de vergonha refutarem a obra de Hume – Essay on suicide (L.8/22, cap. 13, p. 324).

Diz Schopenhauer nesse capítulo que a única razão contrária ao suicídio seria moral, pelo entendimento que não há prova de substituir um mundo de miséria por outro diferente. Mas que não concorda que isso (o suicídio) seja um crime visto pelos eclesiásticos (L.23/29, cap. 13, p. 324).

Argumenta que o único ponto de vista elevado, ético e superior ao suicídio é o ascetismo que o honrava (L.30/36, cap. 13, p. 324). Levanta a hipótese de as religiões temerem o suicídio como uma denúncia contra elas (L.1/6, cap. 13, p. 325).

Parece espantar-se com o fenômeno do corpo como Vontade de viver (L.13/15, cap. 13, p. 325). Quando o corpo sofre nada mais importa que não seja o restabelecimento, assim como os espirituais acima dos corporais. A facilidade do suicídio está na pausa dessas dores (grifo nosso), pois não há autosuperação a quem está enfermo de melancolia. (L. 19/31, cap. 13, p. 325).

Poetiza comparando a vida a um sonho que se é obrigada a interromper por força da angústia. (L.3/4, cap. 13, p. 326).

Filosoficamente traz a ideia que o suicídio seria aceito ainda como experimento sobre qual mudança a existência experimentaria e que conhecimento a humanidade teria com a morte. Mas o experimentador perde a identidade da consciência com a capacidade de ouvir a resposta. (L.5/10, cap. 13, p. 326).

 

OBSERVAÇÕES

É através de outros capítulos ainda em O mundo como vontade e como representação (p. 500 Tomo-I) que se pode observar a forma como Schopenhauer tem a Vontade se afirmando no suicídio “pela supressão mesma do fenômeno, pois ela já não pode se afirmar de outra maneira”. Negar a Vontade que se expressa fenomenicamente no mundo tirando dela a substância pela destruição do corpo, não a anula. O que se quer é anular o sofrimento, eis que a Vontade seria a precursora do sofrer, por isso não há um suicídio absoluto, ainda mais por se tratar de um ato individual e não global, ou até mesmo universal.

Ainda temos em conta a proposta da via do ascetismo para demonstrar que o filósofo não pretende com seus argumentos negar a Vontade, mas afirmá-la, primeiro identificando que entende por ascetismo “propriamente aquela aniquilação refletida do querer que se obtém pela renúncia aos prazeres e pela busca do sofrimento”. (P. 491, MVR-T-II). Para chegarmos a “Longe de ser uma negação da Vontade, o suicídio é uma marca de intensa afirmação da Vontade”. (P. 499, MVR-T-II). Isso conduziria à libertação, sem injustiça religiosa ou estatal, tampouco contrária à natureza, sem um ato de astúcia ou egoísmo escondido no véu de uma ilusão; talvez um erro, mas não um crime.

A Vontade permaneceria inquebrantável ao instante que o querer cesse com o suicídio cessando também o fenômeno, mas não sua afirmação exata no ato da opção do asceta pela morte pelo corpo. Uma ação consciente acima do querer.

 

ENCERRAMENTO

Percebemos da leitura “seca”, que propositadamente quisemos trazer de trechos garimpados desses capítulos, que Schopenhauer parece querer nos mostrar que para sermos totalmente livres precisamos entender detalhadamente os conceitos formais de ideologias construídas por humanos com interesses subjetivos e egoístas, criando ilusões que disseminam o medo de dano (político, ético ou moral com sanções aos familiares) e o medo metafísico (com os dogmas religiosos de pecado) ao não se poder ter direito sobre o próprio querer, seja ele inclusive dar cabo da vida.

Também esclarece que matar-se por motivos outros que não seja o conhecimento de si como expressão de uma Vontade livre, pode ser um erro.

Dúvidas podem ser lançadas, como por exemplo estar puramente desobstruído de uma ascese viciada por pensamentos egoístas ou ainda a necessidade de redenção da Vontade, a partir do instante em que essa mesma Vontade seria uma força acima do querer humano, portanto, deveria ser redimida de quê?

Pontos que deixamos em aberto a serem melhor analisados futuramente no oceano profundo e didático do trabalho de Arthur Schopenhauer.

Assim, encerra-se este micro apanhado sobre a visão desse filósofo e sua contribuição para o crescimento do indivíduo, não dando por concluído o assunto pela enorme gama de aprofundamentos que se pode continuar de seus estudos.

 

Referências

 

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação. Tomo I.

Tradução, apresentação, notas e índices de Jair Barboza. 2ª ed. São Paulo. Editora

Unesp, 2015.

 

SCHOPENHAUER, Arthur. Sobre o fundamento da moral. Tradução de Maria Lúcia Mello Oliveira Cacciola. 2ª ed. São Paulo. Editora Martins Fontes. 2001.

 

SCHOPENHAUER, Arthur. Parerga y paralipómena. Tomo II – Traducción introducción y notas de Pilar López de Santa María. Volumen II. Clássicos de la cultura. Madrid. Editorial Trotta S/A. 2009.

 

Bibliografias utilizadas

 

BÉZIAU, Jean-Yves. O suicídio segundo Arthur Schopenhauer. Discurso (28), 1997: pp. 127-143.

 

SANTOS, Élcio José dos. Algumas considerações sobre a questão do suicídio na filosofia de Arthur Schopenhauer. Revista Voluntas: 2º Semestre 2010. Vol. 1, Nº 2.

 

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação. Tomo II.

Tradução, apresentação, notas e índices de Jair Barboza. 2ª ed. São Paulo. Editora

Unesp, 2015.



[1] Schopenhauer: Só a arte nos livra da dor. João Luiz Muzinatti.

sábado, 30 de outubro de 2010

O PROBLEMA DO MAL NO MUNDO SEGUNDO O PENSAMENTO DE SANTO AGOSTINHO; LIVRE-ARBÍTRIO, GRAÇA E VONTADE

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS

FILOSOFIA - LICENCIATURA


RICARDO LUÍS DO PRADO
RODRIGO FONTOURA MASSI
VANDERLEI DOS SANTOS AMORIM
AGUSTAVO CAETANO DOS REIS


PATRÍSTICA: O PROBLEMA DO MAL NO MUNDO SEGUNDO O PENSAMENTO DE SANTO AGOSTINHO; LIVRE-ARBÍTRIO, GRAÇA E VONTADE.


SÃO BERNARDO DO CAMPO – SP
2010


RICARDO LUÍS DO PRADO – 163325
RODRIGO FONTOURA MASSI – 161094
VANDERLEI DOS SANTOS AMORIM – 161080
AGUSTAVO CAETANO DOS REIS - 161062
PÓLO: LONDRINA - PR


PATRÍSTICA: O PROBLEMA DO MAL NO MUNDO SEGUNDO O PENSAMENTO DE SANTO AGOSTINHO; LIVRE-ARBÍTRIO, GRAÇA E VONTADE.


Este trabalho de cunho filosófico tem como objetivo abordar o tema referente desta disciplina; visando a devida análise de correção ao tutor do curso de Filosofia da Universidade Metodista de são Paulo.

Docente: Luís Fernando Weffort
Tutor: Hermiton de Oliveira Freitas



SÃO BERNARDO DO CAMPO – SP
2010

Índice Sistemático




Introdução:...................................................................................................................... 3

1. Filosofia cristã:............................................................................................................. 5

1.2. O Problema do mal no mundo na filosofia Teológica de Santo Agostinho:........................................................................................................................ 5

Conclusão:....................................................................................................................... 9

Referências:................................................................................................................... 10


Introdução


Podemos dizer que, em Santo Agostinho a patrística alcança o seu ponto mais alto em se tratando de filosofia cristã. Santo Agostinho consegue chegar com as suas elaborações filosófico-cristãs, aonde o pensamento Patrístico do antes e do depois dele, não tinha conseguido chegar até então. Neste trabalho, apresentaremos de forma breve, o que este autor, tão estudado na história da filosofia e da teologia mundial, nos apresenta sobre as inquietações a respeito do mal no mundo. Quem nunca se perguntou: O porquê do sofrimento humano, se Deus é a própria essência da bondade? Veremos como Santo Agostinho elabora em sua obra: Confissões, uma filosofia que tem sua influência em Plotino, e que engendrou um pensamento que nos deu um modo novo de olhar a criação como sendo aparentemente, digo, quando olhamos de forma superficial a criação, - não percebemos que tudo concorre para a harmonia e tudo tem uma razão de ser. Como poderemos observar neste trabalho, em Santo Agostinho encontramos três formas de examinar o mal no mundo; a primeira seria o mal metafísico-ontológico; depois temos o mal moral; e por último o mal físico.

Santo Agostinho acrescenta ainda que, existem graus inferiores de ser no mundo em comparação ao Ser Supremo que é o próprio Deus. E o homem, com o seu livre-arbítrio, muitas vezes escolhe pela má vontade as coisas inferiores do que as superiores, voltando-se assim, para a criatura ao invés do criador. Para Santo Agostinho, o mal não é entendido como um ser substancial, como entende o pensamento maniqueísta ao qual ele pertencia antes de sua conversão; pois se o mal fosse uma substância, ele se igualaria a Deus, porque, substância é entendida por Santo Agostinho e sua tradição filosófica anterior a ele, como sendo a plenitude das coisas criadas. Isso remete Santo Agostinho a dizer que, é incabível e impensável o mal ser originado do Bem, pois se fosse assim, o bem não seria bem, mas seria mal. O pecado original que enfraqueceu o conceito de verdade no mundo, fez com que Deus oferecesse a graça santificante para que o homem arrependido de suas faltas e debilitado pela culpa original, pudesse alcançar o perdão. Veremos que o ser humano não pode andar só, mas a graça divina é necessária para que o homem possa tomar suas decisões em fazer o bem. Pois quando o homem quer fazer o bem com suas próprias forças, dependendo somente de si mesmo, ele é vencido pelo pecado e fracassa em seu engendro.


1. Filosofia Cristã

1.2. O Problema do mal no mundo na filosofia teológica de Santo Agostinho



Quem nunca se perguntou: porque há o mal no mundo? E esta questão nos remete a uma outra correlativa à anterior; se Deus criou o mundo, como afirma os cristãos e religiosos, e se este Deus é o Bem Supremo, pois a sua criação não deveria ser desprovida de sofrimentos? Em meados do século IV d.C., houve um filósofo que se debruçou sobre esta questão, e não somente esta, mas de outras pertinentes a essa, questões que acompanharam toda a trajetória da trama da existência humana; estamos falando de: Aurélio Agostinho, mais conhecido como: Santo Agostinho de Hipona, que foi o expoente mais estudado e influente e influenciado da Era Patrística. Apesar de Santo Agostinho não ser o único a tratar deste tema tão feroz que rasga o coração humano durante séculos de história, somente iremos nos prender ao que este homem tem para nos dizer sobre esse assunto tão importante e obscuro de nossas vidas.

Para início de diálogo, em Santo Agostinho, o problema do mal está totalmente ligado ao problema da criação, e como a entendemos. Vamos entender melhor o que Santo Agostinho quer dizer com isso, partindo do princípio de que se toda a criação, ou melhor, dizendo, se tudo o que existe na criação (as coisas criadas) provém de um Deus que é o Bem Supremo, de onde vem o mal que encontramos no mundo que é obra de Suas mãos? Para resolver essa questão, Santo Agostinho encontrou em Plotino a argumentação necessária para sanar essa dúvida inquietante e latente do coração do homem. Segundo Santo Agostinho, “o mal não é um ser, mas deficiência e privação de ser”. (REALE/ANTISERE; p. 455, 2007). O que o nosso filósofo quis dizer com essa afirmação? Vejamos então, o mal para Santo Agostinho não é entendido como uma “substância”, assim como é ensinado no pensamento maniqueísta - ao qual Santo Agostinho pertencia antes de se converter ao cristianismo - não, mas, uma transgressão à Substância Suprema (Deus). Isso porque, se o mal fosse uma substância, então o mal seria pleno e perfeito, porque é assim que o conceito de Substância era entendido no mundo grego; lembremos do conceito de substância em Platão: é plena, imutável e originador. Devido a este conceito de substância, se o mal fosse substancial, o mal teria os mesmos adjetivos que possui Deus que é a Substância Suprema ou o Bem Supremo. Então o mal não seria mal, mas, ao contrário, seria um bem. E é incabível no pensamento de um filósofo, principalmente da época anterior à época contemporânea de Santo Agostinho, conceber que do bem possa originar o mal, pois se assim fosse, o bem não seria bem e nem Deus seria Deus, porque não seria pleno e perfeito.

Ainda tratando do problema do mal, Santo Agostinho prossegue dizendo que, o mal deve ser examinado na criação em três níveis; a) metafísico-ontológico; b) moral; c) físico. O primeiro seria que: não existe o mal no cosmos, mas o que existe de fato são graus inferiores de ser em relação ao Ser Supremo. O que existe é o ser Supremo in-criado e infinito, e existe ser criado e dependente, e por isso, finito. Este modo de ser inferior depende de sua finitude e dos níveis diferentes dessa finitude. A condição finita pode ser considerada aqui como um defeito na criação, então um mal. Mas somente temos esta noção de mal em relação à finitude, se olharmos as coisas de forma superficial ou individualmente, pois se olharmos com uma ótica universal e em conjunto tais seres inferiores, eles deixam de ser finitos e inferiores, isso ocorre porque ao olharmos as coisas em conjunto, então se revela momentos de um grande conjunto harmonioso. Por mais que pareça, segundo Santo Agostinho, um defeito (mal) na criação, o fato de existir animais nocivos que podem levar um homem a óbito, isso não significa que seja um mal de fato, pois se olharmos em conjunto essa realidade, veremos que cada animal possui uma função específica e necessária na criação. “Medida com o metro do todo, cada coisa, mesmo aquela aparentemente mais insignificante, tem o seu sentido e a sua razão de ser e, portanto constituí algo positivo”. (REALE/ANTISERE; p. 455, 2007).

Em se tratando do segundo modo de observação, o mal moral, seria o pecado. E o pecado depende da má vontade do sujeito para ser praticado. Mas a má vontade, segundo Santo Agostinho, depende daquilo que ele chama de: causa deficiente. “A má vontade não tem uma causa eficiente, mas, muito mais, uma causa deficiente”. (REALE/ANTISERE; p. 455, 2007). A vontade humana em sua natureza, Santo Agostinho a entende que sempre deveria tender ao Bem Supremo, isto é, deveria ser vontade de fazer e se inclinar sempre a Deus (Bem). Mas como já vimos que existem na criação as formas de ser finitas e inferiores, a nossa vontade velada pela nossa liberdade pode tender aos bens criados e finitos ao Ser infinito e Supremo. Com esta atitude o sujeito escolhe a criatura ao criador. Então o pecado é realização da má vontade inclinada as formas de ser inferiores, que essas, por sua vez, são necessárias na criação. Para Santo Agostinho, escolher os bens inferiores ao Bem Supremo é realizar uma escolha incoerente entre esses bens. “Com efeito, afastar-se daquilo que é o bem Supremo para aproximar-se daquilo que possui o ser em grau inferior significa começar a ter má vontade”. (REALE/ANTISERE; pp. 456-457, 2007). Mesmo que um indivíduo tenha recebido de Deus uma vontade livre, isto é, um enorme bem, então o mal seria o mau uso deste bem. “O Bem em mim é obra tua, é dom; o mal em mim é o meu pecado”. (REALE/ANTISERE; p. 456, 2007).

Por fim, o terceiro nível se refere ao mal físico. Assim como as doenças; os tormentos da alma, os sofrimentos e até mesmo a morte, são entendidos por Santo Agostinho como consequência do pecado original que por sua vez, é consequência do mal moral que já mencionamos acima. O pecado original, diz Santo Agostinho, foi o pecado da soberba, que protagonizou e iniciou o primeiro desvio da vontade Suprema.

Os dois primeiros homens devem ter começado a ser maus interiormente, antes de caírem na rebelião aberta, pois não se pode chegar a cometer uma obra má se não houver antes a má vontade. (REALE/ANTISERE; p. 457, 2007).

A verdadeira liberdade para Santo Agostinho consiste em que, a liberdade deve sempre aderir ao bem Supremo, e, todavia, se trata de liberdade sempre livre. Portanto quando o espírito abandona o princípio ao qual deve sempre aderir, acreditando, tal o homem, ser principio de si mesmo, se torna auto-suficiente (soberba). Tendemos pela má vontade, voltar-se o espírito a nós mesmos do que ao bem supremo.

Mas devido o surgimento do pecado original, a verdade se enfraqueceu, e por causa disso, torna-se necessária a graça divina. Esta graça se torna necessária para toda e qualquer ação reta visando o bem. Mas quando o ser humano pensa poder viver de maneira “reta” por suas próprias forças, ou seja, sem o auxilio da graça divina que é libertadora, tal homem fracassa e é vencido pelo pecado. Portanto, todo ser humano tem “a capacidade de crer com o seu exercício de livre vontade e no seu libertador, acolhendo a graça”. (REALE/ANTISERE; p. 457, 2007). Fazer o bem é dom de Deus por sua graça e o homem acolhe pelo livre – arbítrio.

Conclusão


Em suma, podemos concluir que Santo Agostinho, entende o mal como “uma ausência do bem no mundo”. Quando tomamos decisões pela má vontade, inclinando o nosso coração as coisas finitas, desviamo-nos do Bem Supremo, e as consequências de tais atos, não alcançam as realizações em plenitude e excelênciariedade. Realizações estas, que, só encontramos em Deus. O mal é pura privação do bem, assim como as trevas é pura ausência da luz. De forma semelhante o mal aparece onde o bem é deixado de lado. Vimos também que o homem não pode viver só em si mesmo, se arrogando ser o suficiente para as suas realizações. Pois sem a graça divina, tudo o que ele faz, fracassa; porque acaba sendo vencido pelo pecado das más inclinações às coisas finitas que são modos de ser inferiores ao Ser Supremo que é o próprio Deus.

(...) este pecado não é apenas o primeiro pecado cometido nas origens, quando Adão e Eva viviam no paraíso. Ele é original no sentido de que designa o estado de pecado que marca a natureza humana em consequência de sua origem, ou seja, de um membro de um gênero de seres (o gênero humano) cuja origem encontra-se no pecado cometido pelo ancestral, pois o pecado do primeiro homem e da primeira mulher foi o pecado dos pais e poluiu para sempre toda a descendência humana. (CHAUÍ; pp. 260-261, 2009).

Deus, em Santo Agostinho, é princípio sem princípio, criador das coisas visíveis e invisíveis. O Bem, a realização de todos os homens, seus filhos. É o caminho seguro para alcançar a felicidade plena. Deus que enviou seu Filho único para que todos possam, através dele, entrar em comunhão profunda com o Criador e partilhar da felicidade que Deus tem para cada pessoa. Cristo é a graça em pessoa do Pai. A graça tão necessária para que o homem possa realizar suas atividades no mundo com êxito. Graça, quer dizer; inclinação de Deus para com os seus amados é um dedicar-se cuidadosamente aos que lhe buscam e contam com o auxilio Dele. O Amor amou primeiro. Antes da criação, Ele já existia, e também já sabia da queda do homem pelo pecado, devido ao mau uso de seu livre-arbítrio, mas, todavia, Deus de antemão, tinha um projeto de salvação ao qual seu Filho fazia parte e era o ápice deste projeto salvífico.

REFERÊNCIAS

CHAUÍ, Marilena; Convite à filosofia; Ed. Ática, 13ª edição São Paulo – SP – 2009.

REALE, Giovanni e ANTISERE, Dario: História da filosofia; volumes: I, II e III, Editora Paulus, São Paulo – 2007.

BIBLIOGRAFIA UTILIZADA

ABBUD, Luiz Nelson: Filosofar é perguntar; Editora Rosograf, Londrina PR, 2ª edição – 2008.

AGOSTINHO; Confissões. São Paulo: Abril Cultural; 1980 (Os Pensadores).

Dicionário de filosofia de Cambridge; Editora Paulus, SP – 2006.

Guia de Estudos: Metafísica, epistemologia e linguagem; Universidade Metodista, São Bernardo do Campo SP, 2ª edição – 2010.

LENZENWEGER; Josef/ STOCKMEIER; Peter/ BAUER; Johannes B./ AMON; Karl e ZINHOBLER; Rudolf: História da Igreja Católica, Ed. Loyola – 1995.

PECORARO, Rossano (org.); Os filósofos clássicos da filosofia; Volumes I e II, Ed. Vozes Petrópolis e PUC Rio – 2008.

PIERRARD; Pierre; História da Igreja, Ed. Paulus, 5ª edição – 2008.