- APRESENTAÇÃO -

O objetivo deste Blog é divulgar projetos, pesquisas, trabalhos, textos que abranjam o pensamento filosofal de diversas áreas e diversos pensadores, disponibilizando-os a quem assim quiser partilhar e precisar para suas próprias investigações e pesquisas. Grato a todos que me ajudaram: Professores, Tutores e Colegas.
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

PLANO DE AULA - INTRODUZINDO KANT

UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO
CAMPUS – EAD – LONDRINA-PR
Faculdade de Filosofia e Ciências da Religião
Filosofia Licenciatura


AGUSTAVO CAETANO DOS REIS - Nº 161062

FILOSOFIA
ESTÉTICA E FILOSOFIA MODERNA


Trabalho apresentado ao módulo Estética e Filosofia Moderna, à Atividade Portfolio. Em cumprimento às exigências do curso de Licenciatura em Filosofia, da Faculdade Metodista de São Paulo - Polo Londrina.

Professor: Wesley Adriano Martins Dourado.


SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP 2011

SUMÁRIO


INTRODUÇÃO........................................................................................03

JUSTIFICATIVA......................................................................................04

OBJETIVO..............................................................................................07

OBJETIVOS ESPECÍFICOS...................................................................08


INTRODUÇÃO

Como atividade final de curso, especificamente apresentação para o Portfolio do formando, roga-se seja elaborado um objetivo para uma aula sobre um tema de livre opção, em que possa ser utilizado com o fito de os alunos (supostos da hipotética aula) poderem aprender com a mesma algo de cunho filosofal, devendo ser apresentada uma justificativa da escolha em questão do tema e do objetivo, ou melhor, apresentar um objetivo para a aula de um tema filosófico e justificar a escolha e o objetivo apresentado. Tal como um plano de aula, entre tantos já elaborados nos últimos períodos do curso, com o foco justamente voltado para a experimentação do formando de forma empírica e epistêmica, o que é extremamente pertinente e funcional para os que anelam o título de Professor.
Ante tal, optou este formando por apresentar uma parcial do pensamento de Immanuel Kant, através de sua obra, a Crítica da razão pura e seus aprofundados conceitos sobre a necessidade de se colocar um freio racional e lógico junto à metafísica de então, demonstrando aspectos racionais que levam a um caminho e a um aspecto que mostra ao ser humano o lado espiritual pouco evidenciado em suas obras e o conflito entre razão e espiritualidade.
Em um primeiro momento, que poderia até ser conclusivo, fica a objetividade imparcial de se abordar duas questões que se apresentam preocupantes: a metafísica desenfreada em seus campos ilimitados de análises do imaterial e a linguagem imanente, vinda da natureza, de um ser maior, destruída pelas complicações dos códigos temporais.
Esse plano também terá como proposta durante a aula, procurar mostrar que Kant nos apresenta limites para a metafísica de então, quando falar de entes imateriais era comum, tanto quanto para Sócrates resgatar do mundo das ideias respostas prontas e não tanto satisfatórias.
A comunicação corporal e verbal precisa e deve escapar dos campos inalcançáveis da metafísica? Ou seria numa simbiose em que a autêntica linguagem se encontra: o sentir?
É buscando esmiuçar esses pensamentos é que abordaremos esses assuntos com mais detalhes e em seguida, demonstrar através de objetivos práticos que esses mesmos pensamentos de outrora podem ser aplicados em sala de aula nos tempos atuais de forma prática e funcional, demonstrando, não só ao aluno, a necessidade de se dedicar com consciência dirigida ao estudo de grandes filósofos, mas como trazer para seu topos a funcionabilidade dessas propostas.

JUSTIFICATIVA

A ideia central do plano de aula é levar ao aluno em sala algumas das vertentes do pensamento desse grande filósofo e trazer à lume reflexões que possam estar livres dos conceitos religiosos.
Introduzindo Kant que nos apresenta um método de análise consciencial da metafísica através de uma crítica, ou melhor, de uma análise que conduz a uma reflexão mais detalhada, profunda, que remontam do conhecimento às condições que o tornam autêntico.
Explicitando que Kant não quer colocar em xeque as crenças religiosas, mas limitar a metafísica. Para Kant, as verdades científicas são necessárias tanto quanto as verdade morais, sendo, não só necessárias, mas também universais. Entretanto, mostrar que Kant percebeu que as verdades da metafísica eram objeto de discussões incansáveis.
Buscar a tradução numa linguagem mais clara de que Metafísica e Ontologia estão carregadas de conhecimento históricos que precisam ser pensadas. E que em Kant deixa-se a história da metafísica que vem desde os pré-socráticos. Ilustrar através de sua Crítica da razão pura (CRP) que Kant sempre está pensando na discussão da Metafísica. Expor que se faz necessário sempre uma avaliação, um exame, uma censura a essa razão especulativa, teórica. Remete-nos a uma tarefa: o ser humano tem um tipo de razão com características específicas que se comporta de determinada maneira. Kant acha necessário que se faça uma avaliação dessa razão, ser livre é o ato de empreender essa tarefa. Mostrar essa possibilidade aos alunos. A Crítica deve ser um freio para essa razão, um limite nessa razão.
Desenvolver com os alunos que os cientistas dizem que é a experiência que gera o conhecimento e que Kant tenta resignificar essas teorias, como se daria a produção desse conhecimento e que tipo de conhecimento é possível e o que não é. Ele se propõe a pensar o conhecimento e os limites desse conhecimento. Portanto, nem tudo é possível de ser conhecido pela razão humana.
Indicar que o hábito de perguntar o que está além da física (metafísica) sobre nossa alma, origens das coisas, sobre as últimas ou primeiras instâncias, o que é o que são as coisas, sobre deus, essas perguntas, para Kant são feitas, pois nossa racionalidade tem uma disposição para a metafísica. O ser humano tem razão como faculdade, conhecimento com característica elementar, o desejo de metafísica.
Propor as questões: Até que ponto Kant teria razão nisso? Isso seria um habito ocidental? Essa preocupação metafísica é universal ou atinge apenas o ocidente como uma obsessão? Deixar aberta a reflexão de que nossa filosofia primeira é a metafísica, segundo o próprio Aristóteles. Entretanto, para Kant essas perguntas fazem parte de nossa natureza, temos essa tendência e se essa possibilidade é ampla em todos os alunos, mas alertar que além de Kant dizer que nossa razão tem uma predisposição metafísica, ela (razão) é atormentada, passa por um drama metafísico. Precisaria de crítica, freios e censura.
Introduzi-los no universo particular de Kant que entende que essa razão que quer o tempo todo saber coisas que não nunca se vai saber, são perguntas metafísicas e isso é um drama humano, um tormento. Pois a razão fica o tempo inteiro se colocando esse tipo de pergunta e não encontra respostas. Perguntamo-nos a respeito de deus, da alma, existência, das coisas e temos que nos satisfazer com respostas falhas, ou com frutos da própria razão, mera especulação. Temos de nos contentar com respostas que não têm garantia nenhuma de serem verdadeiras, da religião, teologia, filosofia, senso-comum, especulações. Este o cerne do plano de aula.
Segundo o pensador, a metafísica cria teorias e especula sobre as coisas e pronto. Esse conhecimento metafísico não tem nenhum tipo de relevância, os conceitos que são produzidos e os objetos que está lidando, pode ser que não exista ou no máximo não temos acesso a eles. Verificar o que os alunos pensam a respeito e apresentar novos questionamentos:
Qual a validade desse conhecimento? De onde vem? De deus? Não temos acesso e nem contato com ele! Vem de onde, afinal? O que achamos que vem de um ser divinal, onisciente, vem de nossa própria razão, pura, teórica, e especulativa, bagagem herdada de conceitos, da religião, de nossa família, da escola?
Mostrar que Kant acredita que essa razão não tem freios, pode criar coisas sem base indefinidamente, pode produzir conhecimentos sem valor sem nenhum tipo de restrição. Observar como eles tratam suas próprias opiniões em comparação com a de um grande pensador, se sustentam suas ideias ou se as permitem serem envolvidas por força de sugestão de um forte formador de opinião.
Apresentar o parecer de que ele fala da razão como nós falamos da imaginação. Essa faculdade de criar o inexistente, delírios, imaginação. A imaginação tem capacidade de criar, mas é limitada a série de coisas sensíveis, do mundo, a physis. Seria possível a razão não precisar ter nenhum tipo de limite do mundo? Não fosse assim não conseguiria falar de deus, imortalidade, alma?
A imaginação ser uma faculdade de criação que pode produzir delírios, sempre tem referencial no mundo, seu perigo é menor que a razão que está solta ou não?
Apresentar algo contemporâneo, tal quando lemos um livro de ficção atual, acabamos construindo um imaginário próprio. Todos os que leem o mesmo livro fabricam em seu interior seu próprio universo particular, certamente, totalmente diverso do que o autor tentou traduzir em letras. Mostrar que o interessante é quando, eventualmente, esse mesmo livro é transformado em filme pela indústria do cinema. A exemplo disso tem-se o grande sucesso entre fãs do mundo todo com a trilogia de O senhor dos anéis de J.R.R. Tolkien. Depois que os efeitos especiais foram lançados na grande tela, os fãs foram conferir se seu universo pessoal corroborava com a película. Apesar de todo poder criativo de imaginação pessoal, vez por outra um personagem surpreende por ter sido elaborado com características muito mais interessantes que a imaginação ilimitada do leitor, (ou do autor) passando a figurar em seu arcabouço arquetipal como a própria referência em si doravante. Qual a verdade? Avaliar as opiniões.
Somos capazes de pensar em toda e qualquer coisa, nossa razão é um perigo, metafísica atormentada, vive um drama, faz perguntas sem respostas e tenta responder mesmo assim, não tem limites, essa razão precisa de um freio consoante enxerga Kant.
Estudar o sistema de crenças da turma, lançando a hipótese de que pode não haver deus, não haver alma, mas falamos insistentemente disso, como algo sobrenatural que nos envolve, que nos absorve magicamente. O mistério é encantador. Como exemplo temos uma criança que pergunta a seu pai como as ondas eram formadas. Esse pai traça paralelos entre o a circulação do ar na atmosfera, o giro translatório e rotatório do planeta em seu eixo e em torno do Sol, diferenças de temperaturas, vulcões submarinos e reajustes de placas tectônicas, tudo epistemicamente comprovado e justifica cientificamente a origem das ondas ao pequeno. A criança, tomada de um espanto incompreensível, percebe que era mais feliz quando desconhecia a ciência e acreditava na magia do desconhecido formador das belas e espumantes ondas do mar. Como a magia (a experiência do imaginário empírico) e a ciência (o fator justificativo da experimentação epistêmica) reflete nos alunos?
Justificar aos alunos, finalmente, que Kant não nega a existência da metafísica, mas nega o acesso ao conhecimento metafísico. E o importante: ele não era ateu!
Isso gera uma revolução na metafísica da Antiguidade, Idade Média e da Modernidade de Kant. Ele alega que foi despertado do sono dogmático (que não se discutia, era preciso aceitar como tal). É tomar como ponto de partida da metafísica a idéia de que existe uma realidade em si (deus, alma, mundo, infinito, finito, matéria, forma, substância, causalidade), que pode ser conhecida por nossa razão ou, o que dá no mesmo, tomar como ponto de partida da metafísica a afirmação de que as idéias produzidas por nossa razão correspondem exatamente a uma realidade externa, que existe em si e por si mesma.
Explicar que Dogmático é aquele que aceita, sem exame e sem crítica, afirmações sobre as coisas e sobre as idéias. Despertar do sono dogmático seria então indagar, antes de tudo, se a metafísica é possível e, se for, em que condições é possível. Despertar do dogmatismo é elaborar uma crítica da razão teórica, isto é, um estudo sobre a estrutura e o poder da razão para determinar o que ela pode e o que ela não pode conhecer verdadeiramente.

OBJETIVO

Diante da apresentação ora exposta, chega-se ao limiar do desenvolvimento em sala de aula e sua objetividade concreta, ainda que teórica no presente momento, do desenlace de toda essa pesquisa realizada em cima da crítica, da metafísica, dos conceitos pré-existentes e seus limites dogmáticos.
Objetiva-se principalmente mostrar que a Filosofia pode e deve ser usada como uma espécie de radar que, através do senso crítico busca identificar aspectos inerentes ao indivíduo e à sociedade, levando-se em consideração o topos e em especial o ente. Para isso necessário se faz avaliar a forma como se comunica e quais as reações psíquicas e emocionais que essa comunicação reflete abordando-a com um senso crítico racional e até onde a liberdade e os limites (os freios) que os conceitos metafísicos e racionais se apresentam.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Gerar pesquisas de canais de comunicação e expressão: fala, corpo, escrita, libras, audiovisuais, TV, folders, jornais, revistas, livros, internete, plotagens, cartazes de rua, fachadas, aérea, 3 D, celular, MPs, rádio, cinema, teatro, telegrama, carta, até mesmo um simples bilhete. Qual a melhor forma de alcançar o humano? Como essa comunicação é tratada ética e moralmente? Existem mensagens subliminares? Se sim, como atuam? Diferir mensagens funcionais de entretenimento e de consumo. Onde se encontram o fanatismo religioso? Onde a fé amplia horizontes e onde ela os cerceia? Compreensão de metafísica, empirismo e epistêmico.
Demonstrar que existe a possibilidade de se encontrar uma liberdade para a comunicação do indivíduo e sua forma particular de expressão, o respeito pelo que acredita o outro.
Verificar os bloqueios e os entraves que levam à tergiversação da comunicação, da linguagem, da mensagem que se pretende passar e que se recebe e as complicações pessoais e coletivas que isso pode vir a gerar.
Indicar que através da consciência de sua própria linguagem, pode-se gerar uma crítica com cunho aperfeiçoativo, de evolução na linguagem com mais objetividade e sucesso na transmissão do que se pretende comunicar sem que se ocasionem problemas com o convívio coletivo.
Perceber que o cidadão não se encontra efetivamente livre em diversos aspectos de sua vida como pessoa, indivíduo e cidadão por ser refém de falhas comunicativas, tais como: analfabetismo, exclusão digital, necessidades especiais em função de deficiência física, programas de televisão, cultos religiosos, pensamentos científicos.
Obstáculos no entendimento da língua. Percepções de línguas estrangeiras e suas influências na língua pátria bem como o pensamento de outros povos podem interferir em nossa vida.
Revisitar e reconstruir a palavra em seu léxico e criticar a sua distorção e corrupção de suas autênticas significações através do tempo valendo-se de palavras do jargão filosófico e seus níveis de compreensão da mesma.
Ditados populares e seus objetivos morais: se religiosos ou éticos.
Constatar a miríade de possibilidades que o pensamento Filosófico pode trazer para o avanço da pessoa como um todo a partir do momento que se compreende pensadores do porte de Immanuel Kant.
Avaliar as dificuldades que os textos profundos de Kant possuem de serem objetivamente compreendidos e como esse tipo de linguagem poderia ser construída sem a perda de conteúdo de forma mais clara a alcançar mais pessoas.
Consolidar a união interdisciplinar de Filosofia com outras disciplinas, tais como Português, Arte, Ciência, Biologia, Geografia, Física, Matemática e outras desvendando as formas de linguagem e a forma como alcançam o ente.
Conhecer metafísica e lógica.
Verificar os bloqueios que existem entre metafísica e lógica e as possibilidades de se romper com esses fatores limitantes.
Buscar a possibilidade de estabelecer uma união da metafísica com a lógica e buscar no espaço do aluno, na escola, uma forma de demonstrar isso e comunicar a postura aos demais, como prova epistêmica dos resultados estudados.
Verificar o impacto que os pais, responsáveis e alunos têm em relação à inclusão do pensamento crítico na disciplina de Filosofia bem como a mudança de opiniões no decorrer do trabalho.
Trazer aos mesmos as diversas possibilidades positivas que tal orientação mista pode resultar no perfil psicológico e físico do estudante.
Apresentar um perfil favorável do caráter expressivo e da linguagem crítica da Filosofia para sua inclusão dinâmica e objetiva na sociedade.
Fortalecer a pessoa tornando-a capaz de ser auto-suficiente no pensar, questionar, criticar e em sua saúde psíquica.
E, como corolário, demonstrar com essas atividades, o poder da Filosofia a qual pode conduzir à libertação da pessoa e do espírito escapando, concomitantemente, ao corpo-dócil.
Esses, dentre outros que poderão advir, os principais objetivos gerais.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

AS VÁRIAS PERCEPÇÕES DE AUCTORITAS

UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO
CAMPUS – EAD – LONDRINA-PR
Faculdade de Filosofia e Ciências da Religião
Filosofia Licenciatura

AGUSTAVO CAETANO DOS REIS - Nº 161062

ESTÉTICA E FILOSOFIA MODERNA

Trabalho apresentado ao módulo Estética e Filosofia Moderna, à atividade: Portfolio Auctoritas. Em cumprimento às exigências do curso de Licenciatura em Filosofia, da Faculdade Metodista de São Paulo - Polo Londrina.

Professor: João Epifânio Régis Lima


SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP-2011

SUMÁRIO


1 – INTRODUÇÃO.............................................................................................03

2 – APRESENTAÇÃO........................................................................................04
AS VÁRIAS PERCEPÇÕES DE AUCTORITAS.....................................................................04
AUCTORITAS ANTIGA E AUTOR-PRESENÇA...................................................................06
AGRADÁVEL, BELO E BEM................................................................................................07
JUÍZO DE GOSTO (BELO).....................................................................................................09

3 - REFERÊNCIAS.............................................................................................11

INTRODUÇÃO

Em atendimento ao pedido elaborado em Planejamento Semanal datado de 16 e 24 de abril de 2011, onde, respectivamente, se pleiteia a leitura de texto elaborado pela autora Helena Carvalhão Buescu, Autor, leitura pertinente no Guia de Estudos, ancorado finalmente pelas teleaulas, identificar e resumir posturas sobre autoria que sejam diferentes daquelas de Roland Barthes e Michel Foucault; definir falácia intencional e autor empírico; comparar auctoristas antiga com a do autor-presença em dois aspectos diferentes; explicar a tese da morte do autor, segundo Roland Barthes; comparar o prazer do agradável com o do belo e do bem, segundo Immanuel Kant e, por fim, explicar sucintamente quatro características do juízo de gosto (ou de belo) na visão do próprio Kant.
Eis assim, explicitado o pedido da presente atividade cuja apresentação se segue.

APRESENTAÇÃO

AS VÁRIAS PERCEPÇÕES DE AUCTORITAS

Roland Barthes e Michel Foucault dedicaram parte de sua obra a apreciar com atenção e dedicação profundas os aspectos que circundam o tema autoria, ou ainda, objetivando o respeito pela nomenclatura oficial, auctorias.
A tese de Roland Barthes - crítico dos conceitos teóricos complexos que circularam dentro dos centros educativos franceses nos anos 50 - afirmava que o escritor não tem passado, pois nasce com o texto. Ele também defendia que, na ausência da idéia de um "autor-Deus", para controlar o significado de determinado trabalho, os horizontes interpretativos estão abertos para o leitor ativo. Segundo o pensamento de Barthes, "a morte do autor é o nascimento do leitor." (Wikipédia; 2011). A auctoritas deve desligar-se da figura do autor e centrar-se na do leitor. Para Barthes, a função de quem lê o texto é desvendar, desembaraçar essas muitas linhas possíveis entretecidas no texto. Quem vai ser auctoritas será o próprio leitor, mais do que o que escreveu o texto. O leitor tem a função de autorizar ou desautorizar a obra. Isso depende do modo como o leitor desvenda as linhas daquele tecido, depende ainda do próprio texto que assume certa autonomia, ganha vida própria e precisa da atividade do leitor como autorizador daquele texto, escritura. Barthes nega qualquer concepção de autoria ligada a concepção de autor-presença.
Em Michel Foucault, temos a questão do Autor-Função onde ele (autor) se refere, caracteriza o modo de existência, de circulação e de funcionamento de certos discursos no seio de uma sociedade. Sedimenta práticas discursivas inscritas em práticas institucionais. O autor é ser de razão e ainda pluralidade de egos. Michel Foucault, também nega a função de autor-presente e vai pensar a autoria como um ser de razão, o autor não é mais a pessoa de carne que produz de próprio punho o texto, ou o artista que produz a obra. Pode-se ter uma mesma pessoa entendida como autor-presença, mas que enquanto autor-função representa muitas autoridades diferentes, muitas autorias diferentes. Um autor que escreva um prefácio de um livro, ou a mesma pessoa que escreva o corpo do livro onde ele se mergulha numa questão, ou a mesma pessoa que faça a crítica, o comentário a esse livro, faça uma resenha desse livro. Pode-se ter a mesma pessoa trabalhando, mas representam funções autorais diferentes. Do mesmo modo essa mesma pessoa que escreve uma carta e comenta com alguém, ela também assume uma função autoral diferente. Para Foucault, muitas vezes não é a pessoa que assume essa função, mas a própria instituição que autoriza, autentica, legitima o discurso.
Para ampliarmos o leque de possibilidades de auctoritas, dentro de nossa contemporaneidade, abordamos o texto produzido por Buescu intitulado Autor, onde encontramos algumas outras perspectivas apresentadas pela escritora as quais amplificam a gama de auctoritas. Dentre elas, o autor empírico. Neste caso, Buescu entende por autor empírico como o fator que experimenta para construir uma obra. Ele é apenas um vínculo psicológico que perpassa a obra. Uma identidade biográfica, orgânica de tal produção. É o fundador da obra em si, mas atrela-se a ela apenas extratextualmente. Uma obra literária, por exemplo, sobre esse prisma, pode ser observada pelo fator cronológico, causal, que traria uma referência emblemática, rotular onde se poderia observar o contexto pelo qual o autor empírico passou e que refletiu em sua obra. Tal como J. R. Tolkien, o criador das sagas O senhor dos anéis, onde o leitor, ciente da época em que a mesma foi escrita – 1ª Guerra Mundial – pode inferir detalhes de sofrimento e do drama ali embutidos.
Buescu ainda se alonga em observar e constatar outros tipos de auctoritas, dentre elas: o autor moderno, medieval, autor implicado, modelo, autor postulado, inferido e, até onde se pôde localizar, autor textual.
Buescu entende que “autor é uma ingerência do extraliterário no literário, ingerência não só funcionalmente impertinente como semanticamente injustificável.” (BUESCU). Diante disso, ela justifica as outras possibilidades de auctoritas, acima adiantadas, como “[...] formulações flutuantes, aceitam a existência de uma formulação autoral distinta da instância narradora [...]”. (BUESCU). Seu pensamento se lança ainda a uma última possibilidade, à de “autor textual/narrador/leitor”.
A escritora nos fala ainda sobre falácia intencional. Nessa condição Buescu afirma que um texto pode viver independentemente de seu autor. Em verdade, ele deve viver assim, segundo ela, pois nada tem a ganhar em liberdade interpretativa se permanecer à sombra de seu autor. O produtor, se assim podemos considerar, de um texto, existe somente “antes e fora do texto”. Assim, a falácia intencional, “consiste em querer constranger o texto e seus sentidos à prévia existência de uma ‘vontade de sentido’ autoral, intencionalmente refletida no texto”. (BUESCU).


AUCTORITAS ANTIGA E AUTOR-PRESENÇA

Debrucemo-nos um pouco para o significado de auctoritas para que possamos compreender melhor a antiga e a sua interpretação como autor-presença.
Autorictas seria a autoria de uma obra em si. Mas seu sentido é mais amplo e profundo, ela autoriza, autentica, é a autoridade de um discurso. É uma representação em particular. Refere-se ainda a um gênero. A auctoritas antiga é em gênero de velho. Escrita em gênero alto é na chave do encômio, do elogio, pinta o objeto melhor do que ele é. Tomemos como exemplo a obra de Camões Os Lusíadas, o povo português daquele século XVI, não era tudo aquilo que Camões dizia que era, havia um enfeite, ou o gênero alto. Na comédia de escárnio, de mal-dizer, são gêneros de estilo baixo, pinta-se o objeto pior do que ele é. Gênero médio, em termos de categorização teórica, seria aquele que descreve o objeto “exatamente” como ele é. (Fazer isso diante da Filosofia da Ciência é impossível). Atentemos para o repórter ao descrever um acontecimento, chamado de “fato”, ele deve narrar sem tirar nem pôr. Não pode tirar nem acrescer nada. Mas ao contar o que aconteceu já está interpretando, dando sua própria ênfase, escolhendo palavras, descrevendo, todavia, gênero médio seria isso. Um texto científico tem a pretensão de descrever o mundo tal como ele é.
Bem, visto isso, rumemos para as classificações de auctoritas. Auctoristas Antiga seria a que vai até o século XVII. Nela há a total negação do autor-presença, aquele que seria o responsável pala obra. Os discursos orbitam em torno de rótulo de autoridade, por exemplo, Homero. Atentemos que Homero não era um autor no sentido de autor-presença; sua poesia ocupa um período que obrigaria Homero ter vivido séculos para que ele pudesse ser pensado como alguém que escreveu todas as obras lhe atribuídas. Pior ainda, em Homero a poesia era encenada, falada, dramatizada, cantada, dentro de uma transmissão oral. Homero é então, um rótulo de autoridade, que autoriza, autêntica e legitima um determinado produto, uma produção de um momento. Teríamos assim uma espécie de slogan: “Se é de Homero é de boa qualidade!”
A Filosofia platônica não são necessariamente os textos de Platão, mas sim sua tradição. Temos mais, o caso do pintor Cennino Cennini, que era discípulo de um outro grande pintor: Giotto. O livro de arte escrito por Cennini não implica que toda orientação ali contida seja do próprio. Outro exemplo clássico é o do monge Teófilo. O verdadeiro (ou verdadeiros) autor se excluía ao adotar dito pseudônimo, assim era eliminar o autor no sentido de autor-presença. O tratado poderia ser uma antologia de como fazer algo. Tal como um caderno de receitas. O caderno é da pessoa, mas as receitas não são todas dela.
Têm-se ainda a referência à autoridade divina no caso da bíblia, tora, vedas, alcorão – quem é o autor, quem autoriza as escritas, os evangelistas? Não, o próprio deus.

No caso do autor-presença temos a noção utilizada por força do senso comum. Senso comum nas ciências em grande medida é positivista e no que diz respeito às artes é romântico. No senso comum, a concepção romântica de autor-presença é aquela que pensa que o autor pessoalmente produziu com total domínio e autonomia a obra. É expressão da interioridade subjetiva do artista. Mas isso só vem a ocorrer depois do século XVII e XVIII, onde nasce a noção de belas artes. Temos então, em autor-presença, uma concepção romântica onde o Autor é tido como causa da obra ele é anterior à obra. O autor possui total domínio da obra, detém a autonomia. Nas obras desse tipo elas estão densificadas com a expressão da subjetividade do artista, sua interioridade o autor se expressa, expressa suas emoções é uma maneira romântica de pensar a arte. É a forma como a maioria pensa hoje em dia.

AGRADÁVEL, BELO E BEM

Immanul Kant nos conduz a analisar questões inerentes ao ser e ao racional dando como fator de reflexão o “agradável”, o “belo” e o “bem”.
Vejamos seu exemplo de agradável; “[...] quando o sabor agradável de um vinho não pertence às propriedades objetivas desse vinho, portanto de um objeto, mesmo considerado como fenômeno, mas à natureza especial do sentido do sujeito que o saboreia.” (KANT, p. 95, nota 2, 2001). O que ele busca dizer com isso é que no cenário do juízo de gosto, o agradável possui tons de interesse. O juízo de gosto se dá independentemente das particularidades de cada pessoa, de suas inclinações, seus desejos, isso é juízo de gosto desinteressado. Esse juízo é universal. Se o juízo de gosto não traz nada de particular o que sobra é o que ele tem de universal.
A complacência é de ter prazer junto. Vejamos que, para Kant, o belo é desinteressado, já o agradável é interessado. Ainda em seu exemplo, o vinho pode ser agradável para alguém, de acordo com os interesses desse alguém. Algo, que para Kant, não pode ser belo para uma única pessoa, pois, para ser belo precisa necessariamente ser algo universal, para todos, ou então não será belo. O juízo sobre o belo é desinteressado como vimos. O juízo sobre o agradável é particular é interessado.
Em Kant, o belo é o que é representado sem conceitos, é só prazer e universal, justamente por que é desinteressado. Para o bom o que acresce é que o juízo sobre o bom envolve razão e conhecimento, é um juízo lógico racional, ao passo que o juízo sobre o belo e o agradável é estético, é um sentimento de prazer. Confiramos:

[...] belo, elevando as suas regras à dignidade de uma ciência. Mas esse esforço foi vão. Tais regras ou critérios, com efeito, são apenas empíricos quanto às suas fontes (principais) e nunca podem servir para leis determinadas a priori, pelas quais se devesse guiar o gosto dos juízos; é antes o gosto que constitui a genuína pedra de toque da exatidão das regras [...]. (KANT, p. 88, *, 2001).

O prazer que se tem quando se olha para um objeto não pode vir antes do ajuizamento da visão que se tem do objeto, pois é condição para se achar algo belo, já ajuizar que aquilo é algo universal. Como antes de qualquer ato já se ajuíza que aquilo é universal, portanto, pode-se ter com aquele objeto a experiência do prazer do belo. Não é o prazer que vem antes e o juízo vem depois. O juízo de belo já aponta naquele objeto, de maneira subjetiva, de maneira universal e desinteressada, elementos que, por isso, como se sabe que todos pensam igual, se sentem igual diante daquele objeto, por isso se tem o julgamento daquele objeto como belo.
Para Kant, um objeto belo, tem as partes dele organizadas tão harmonicamente que dá a impressão de uma finalidade, que todas as partes daquele objeto estariam combinadas de fazer algo com o objetivo de agradar, programadas para tal função. Mas isso é uma aparência. Na verdade não existe nenhuma finalidade no objeto belo. Por isso que Kant diz que o objeto belo é finalidade sem fim. Ele aparece para a pessoa como se tivesse finalidade.
Acontece o mesmo num organismo vivo, parece até que os vários órgãos do corpo entraram em acordo para ter um objetivo de realizar algo. Mas o coração não acordou nada com o pé, com o cérebro. Não tem finalidade.
Assim sendo, para se ter o juízo de gosto, precisa ter um sentido comum. Temos uma ideia subjetiva de que há um sentido comum de que todo mundo que olhar para aquele mesmo objeto terá a mesma sensação e sentimento estético. Isso é condição para que se possa julgar um objeto belo.

Quer seja um objeto da simples sensibilidade (o agradável) ou da razão pura (o bem), a razão não cede ao fundamento que é dado empiricamente e não segue a ordem das coisas, tais quais se apresentam no fenômeno, mas com inteira espontaneidade criou para si uma ordem própria, segundo idéias às quais adapta as condições empíricas e segundo as quais considera mesmo necessárias ações que ainda não aconteceram e talvez não venham a acontecer, sobre as quais, porém, a razão supõe que pode ter causalidade [...]. (KANT, p. 484, 2001).
Kant tenta negociar o bem como a felicidade, e racionalmente chega a seguinte conclusão:
A felicidade, isoladamente, está longe de ser para a nossa razão o bem perfeito. A razão não a aprova (por mais que a inclinação a possa desejar) se não estiver ligada com o mérito de ser feliz, isto é, com a boa conduta moral. Portanto, a felicidade, na sua exata proporção com a moralidade dos seres racionais, pela qual estes se tornam dignos dela, constitui sozinha o bem supremo de um mundo onde nos devemos colocar totalmente de acordo com as prescrições da razão pura, mas prática, e que evidentemente é apenas um mundo inteligível, pois o mundo sensível não nos permite esperar da natureza das coisas uma tal unidade sistemática de fins, cuja realidade não pode ser fundada sobre outra coisa que não seja a suposição de um bem supremo originário; [...]. (KANT, p. 656, 2001).

JUÍZO DE GOSTO (BELO)

Deduz-se que para Kant, bom é aquilo que através da razão agrada por simples conceito. Ou mais, o belo é a representação de um objeto de uma satisfação universal e sem conceito.
Procuraremos esclarecer melhor. O belo em Kant não pode ser conceituado, pois assim sendo será subjetivo e por tal não poderá ser universal – juízos sintéticos a priori. Miremos o exemplo de um estóico, para ele a virtude é o bem supremo integral, sendo a felicidade a consciência de se ter a virtude, correto? Para um epicurista, a felicidade é o bem supremo integral, sendo a virtude o caminho que conduz à felicidade. Duas visões particulares sobre bem.
Como destaca o Professor Lima, para Kant,

[...] o juízo de gosto é estético, ou seja, refere-se ao sentimento subjetivo de prazer ou desprazer por meio da faculdade de imaginação e não ao entendimento que produz conhecimento. Não se trata de juízo de conhecimento, portanto não é lógico, mas estético. Não designa nada no objeto, mas refere-se a como o sujeito se sente afetado pela sensação. (LIMA, p. 35, 2011).

Diante de uma obra, de um texto, cada indivíduo – com sua individualidade particular e única – terá um arcabouço pessoal que interpretará aquilo que está diante de si. Um camponês, um lavrador, terá uma percepção diferente da de um executivo, de um empresário, diante de uma tela em um museu de arte. O senso de estética, de belo, para os primeiros é algo inato, intuitivo. O juízo dessas pessoas está necessariamente atrelado ao pensamento do particular como contido no universal de seus registros arquetipais de belo.
Entretanto, Kant procura esmiuçar melhor esse juízo de gosto, de belo, ao defender que o gosto pode ser estético, uma percepção intuitiva do que seria belo vincada ao “gosto” pessoal, criativo da pessoa; o gosto independe de todo interesse físico do objeto em análise, apenas uma reflexão já seria suficiente para defini-lo como tal; gosto (belo) precisa ser universal, vale para todos! E, o juízo de gosto (belo) com finalidade sem fim, o objeto é belo por si só, sem que algo concorra para isso.
Não olvidemos que em Kant, se o universal a regra, a lei, é dado o juízo que se mistura num só ao particular é determinante. Mas, se apenas o particular é dado e se o juízo deve encontrar o universal, então o juízo é reflexionante.
Portanto, ainda vale a máxima de que o sublime não se encontra na natureza, mas no espírito.

REFERÊNCIAS

BUESCU, Helena Etelvina de Lemos Carvalhão. AUTOR. Disponível em http://www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=830. Acesso em 12 maio 2011.

KANT, Immanuel; Crítica da razão pura. Fundação Calouste Gulbenkian. Tradução de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão. Lisboa-PT. 2001.

LIMA; João Epifânio Regis. A antinomia do gosto na estética kantiana. Guia de Estudos. Universidade Metodista de São Paulo. Organização de Daniel Pansarelli. 2. ed. São Bernardo do Campo. Ed. do Autor, 2011.

Roland Barthes. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Roland_Barthes#cite_ref-0. Acesso em 13 maio 2011.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

CRÍTICA DA FACULDADE DO JUÍZO/FENOMENOLOGIA DO ESPÍRITO - KANT e HEGEL

UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO
CAMPUS – EAD – LONDRINA-PR
Faculdade de Filosofia e Ciências da Religião
Filosofia Licenciatura

AGUSTAVO CAETANO DOS REIS


FILOSOFIA
ESTÉTICA E FILOSOFIA MODERNA


SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP-2011

Trabalho apresentado ao módulo Estética e Filosofia Moderna, Unidade História da Filosofia Moderna, à Atividade de Avaliação Modular - 3. Em cumprimento às exigências do curso de Licenciatura em Filosofia, da Faculdade Metodista de São Paulo - Polo Londrina.

Professores: Suze de Oliveira Piza e João Epifânio Régis Lima

SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP-2011
SUMÁRIO


INTRODUÇÃO........................................................................................03

APRESENTAÇÃO
CRÍTICA DA FACULDADE DO JUÍZO – KANT......................................03

FENOMENOLOGIA DO ESPÍRITO – HEGEL........................................04

CONCLUSÃO.........................................................................................08

REFERÊNCIAS.......................................................................................09

INTRODUÇÃO

Como atividade final de curso, especificamente apresentação para Avaliação Modular, dentro do tema Estética, roga-se, num primeiro momento, seja produzido um texto de uma página onde se aborde trecho da Crítica da faculdade de juízo cujo autor, Immanuel Kant, trabalha com o tema belas artes.
Nesse texto a ser elaborado, prescinde que se apresente quais as três grandes categorias em que Kant divide as belas artes; explicando qual o critério utilizado nessa classificação e qual o conceito kantiano de belas artes.
Num segundo instante, dentro do conteúdo de História da Filosofia Moderna, orienta-se a construção de texto com base nos estudos já realizados da Fenomenologia do espírito – em Hegel -, o movimento do reconhecimento como legitimação do processo constituidor da consciência-para-si; Definir o outro, apresentando algumas das teses de Hegel sobre o espírito e movimento dialético.

APRESENTAÇÃO
CRÍTICA DA FACULDADE DO JUÍZO - KANT

Um sua obra, mas especificamente no trecho compreendido entre as páginas 163/181, Immanuel Kant aborda o tema de belas artes, não sem antes passar pelo conceito de gênio, explicando, segundo sua visão, que gênio seria algo constituído de um dom ímpar, original, de uma pessoa que possa expressas essas mesmas faculdades livremente.
Essa habilidade genial, provinda de uma predileção da natureza e que se pode ensinar nas escolas somente através de métodos, consoante regras, só ocorre se se consegue extrair das emanações espirituais seu feito, e, assim, a arte bela seria mera cópia dessa originalidade genial, mediante um regramento, uma fôrma.
Justifica-se, assim, possíveis falhas na obra-prima do gênio, o que não a isenta das falhas, mas, via de regra, copiar a obra não outorga ao copista o direito de cometer as mesmas falhas sob pena de não se criar uma bela arte.
Segundo Kant, o gênio cria por maneira, modo particular, e o aluno “cria” via método, fórmula. Para a arte bela, somente vale o primeiro modo.
Acresce ainda que uma arte produzida por um gênio merece o destaque de arte rica de espírito, mas somente quanto ao gosto pode ser considerada uma arte bela. Assim, a faculdade do juízo seria a habilidade de ajustá-la ao entendimento.
Cita ainda à p. 165 de sua obra que: “[...] para a arte bela seria requeridos faculdade da imaginação, entendimento, espírito e gosto.” (KANT, p. 165, ano?). E que as três primeiras habilidades seriam única somente com o sêlo da quarta.
Kant resolve então dividir em categorias as belas artes, mas utiliza como critério a analogia da arte como modo de expressão que possam ser perfeitas em sua maneira de exprimir-se, não apenas em conceitos, mas também em sensações. Assim, esse critério seria através da palavra, gesto, e som, constituindo a ligação completa de transmissão e entendimento do que seria bela arte.
Passa em seguida à divisão.
Artes elocutivas, sendo essas as que através da eloquência livre da faculdade da imaginação, ofereça algo que entretenha a faculdade da imaginação.
Artes figurativas, as da aparência dos sentidos, as artes plásticas e as pictóricas (pintura), ambas formam figuras no espaço para expressarem-se.
E, finalmente, a do belo jogo das sensações, as que possuem o poder de comunicação universal através da expressão externa. Sons, músicas, cores, jogo do belo com sensações agradáveis.
Assim, Kant entende que em “[...] toda arte bela o essencial consiste na forma, que convém à observação e ao ajuizamento e cujo prazer é ao mesmo tempo cultura e dispõe o espírito, para ideias, por conseguinte o torna receptivo a prazeres”. (KANT, p. 171, ano?).
Deixando claro que gosto se discute, Kant busca criar método para a liberdade de expressão e de interpretação.

FENOMENOLOGIA DO ESPÍRITO – HEGEL

Ao longo da obra de Hegel, o conceito de razão será dito de forma mais ampla, usa o termo espírito. Logo a fenomenologia do espírito nada mais é do que a manifestação do espírito que se manifesta como cultura, como natureza, como história e é a manifestação da racionalidade.
O que é o espírito? É toda potencialidade (que pode ser – tudo, absolutamente tudo) de cada atualidade sem ser nenhuma singularidade em particular. (Ato é o que já é). No entanto não é nada em particular, o que é em particular é sua manifestação.

A manifestação do espírito vai se dar exatamente dialeticamente.
Hegel tem uma grande pretensão em sua filosofia, e uma grande pretensão em sua fenomenologia do espírito, que é explicar absolutamente tudo!
A base para esse estudo em Hegel é a de que existe um espírito que está aí, e em tudo o que ele se manifesta ele vai se polarizando nas coisas, pois é atualização dessa potência espiritual a fenomenologia do espírito. Esse espírito, segundo Hegel, dizia que tudo começava pela ideia, ao invés de começar pela consequência da vida direta dos indivíduos.
Fenomenologia em Hegel é a manifestação, o caminho a constituição do espírito. Quando o espírito se manifesta é através de um caminho, a fenomenologia. Conforme se manifesta, se constrói como espírito. Desde o começo ele (espírito) é algo, mas se constitui como algo mais completo.
Hegel busca toda atualidade e o não esgotamento em nenhuma atualização, esse o vigor do que o autor chama de espírito a fenomenologia é o caminho, a constituição do espírito que se faz espírito um autorrumo para si.
Para Hegel, o espírito é a potência de toda atualidade de tudo o que está aí. A potência que existe por trás de todas as coisas, é o espírito, (caneta, pessoa, mesa, cachorro). A possibilidade de tudo o que é atual, é o espírito, mas caneta não é espírito, caneta é uma atualização particular, ou singular. O espírito é a possibilidade do que é, mas não é nada em particular. Para Hegel tudo é manifestação do espírito, nós, os objetos somos manifestações do espírito, quando o espírito se desdobra ele gera cultura, quando se desdobra novamente gera natureza, ou o inverso, isso é constante. Tende para um fim, um propósito, uma finalidade, para se tornar absoluto, mas tudo é movimentação desse espírito.
Hegel também se vale de metodologia para escrever sua dialética, até escreve formalmente usando a dialética, no entanto, a dialética para ele é mais que método, é MOVIMENTO DO REAL. Então vejamos: o real é racional; a razão se movimenta e ao se movimentar se manifesta e faz esse movimento e essa manifestação dialeticamente.
Essa RAZÃO é o ESPÍRITO!
A dialética seria a explicitação de como as coisas se dão. A dialética é a forma como esse espírito se manifesta. Pensar que a dialética é movimento, significa dizer que tudo se dá e se constrói e se cria e se forma dialeticamente, as pessoas, o mar, as relações históricas, a TV, seja o que for. É como se existisse uma espécie de teoria da física que se explicita dialeticamente, como se assim as coisas se dão.
A dialética hegeliana possui três momentos:
1) Um ou mais conceitos ou categorias são considerados fixos, nitidamente definidos e distintos um dos outros; (Há algo, qualquer coisa).
2) Quando refletimos sobre tais categorias, (quando reflete sobre esse algo – botão de flor) uma ou mais contradições emergem nelas; (ao analisar esse conceito, surge o elemento negativo, dentro da coisa, dentro dela). (O bebê é o começo dentro do processo, um conceito, ao olhar para esse conceito, tem algo dentro dele que o nega como bebê e que fará que ele logo não seja mais bebê).
3) O resultado é uma nova categoria, superior, que engloba as categorias anteriores e resolve as contradições nelas envolvidas.
Aí começa tudo de novo, ou seja, a nova categoria é a unidade dos opostos.
Da dialética se tira também uma relação com esse outro. O espírito se relaciona consigo mesmo. Com sua própria negação, com o germe de si mesmo, da negação e é assim que ele se fortalece.
Se concebo que tudo é espírito, a negação do espírito está dentro dele mesmo. Então o outro não é externo, é o outro-de-si. É construído a partir de minha perspectiva.
A dialética é o movimento do real que atual em três bases:
Uma afirmação: algo é. De dentro desse algo, surge algo negativo a esse algo, mas é dentro dele que surge. Algo nega esse é (botão e flor). Depois há a negação da negação, até se transformar em outra coisa. Afirmação, negação, e negação da negação!
Em termos simples encontramos como: tese – afirmação; antítese – negação; e síntese – negação da negação. Síntese seria uma nova tese.
Ao se subssumir o seu ser-outro, o um se torna outro. Tudo o que há na Terra tem dentro de si o germe de sua negação para Hegel.
Para ser para-si depende-se do reconhecimento do outro.
Essa negação é o outro (O-OUTRO). O eu, o outro e eu. Esse o movimento na formação de um sujeito. Só que esse outro não é outra pessoa, é elemento meu. (Eu).
O que importa é o que possibilita que esse espírito se reconheça como tal – como espírito – a dialética de Hegel é esse movimento do reconhecimento, preciso desse meu outro que vai me reconhecer para que possa ser para si. Não posso ser apenas em-si, tenho de ser para-si; o em-si é apenas a potência, o começo, precisa ser efetivado. Para se efetivar, precisa ser para esse outro!
Já está dentro de mim a negação, mas ela está externa, preciso do reconhecimento. Preciso tomar para mim, suprassumir, tomar, assim passa a ser esse ser outro.
É justamente o elemento negativo, ou que o nega, contraditório, que vai ser o responsável para que esse algo se torne outra coisa. Algo – uma afirmação, uma tese qualquer – mas dentro desse algo tem o germe da sua negação, tem o não-é! Isso tem de ser negado para que outra coisa se construa.
Por isso a Filosofia Libertadora usa a Filosofia de Hegel às avessas. A libertação do outro é econômica, a autonomia dos corpos.

CONCLUSÃO

O que se busca tanto em Immanuel Kant, quanto em Georg Wilhelm Friedrich Hegel é uma filosofia que vá além de padrões.
Muito embora Kant busque padronizar o belo, a arte, deixa claro que se trata de uma obra rara e de gênios da natureza, difíceis de serem imitados.
Hegel busca o espírito para reconhecer-se no outro no seu processo de subssunção, de afirmação e negação cria uma dialética que traduz como movimento, um eterno devir.
Ambos canais, receptores intuitivos desse mundo de ideias imanentes e que fervilham dentro do panteão das células do indivíduo e que precisam plasmarem-se para a physis, mas que perdem-se em círculos da línguagem e suas deficiências intelectivas que podam o cerne vibrante e verdadeiro da filosofia pura.


REFERÊNCIAS

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich; Prefácio do livro “Fenomenologia do Espírito”. Texto eletrônico digitalizado pelos membros do grupo de discussão Acrópolis (Filosofia). Disponível em: http://br.egroups.com/group/acropolis/. Acesso em 10 maio 2011.

KANT, Immanuel; Crítica da faculdade de juízo. Tradução de Valério Rohden e Antônio Marques. Ed. Forense Universitária. (Ano ?).